Da Redação
Com Lusa
O ministro brasileiro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, anunciou dia 27 o envio, em 48 horas, de um avião com ajuda humanitária para Moçambique, país afetado pela passagem do ciclone Idai.
O anúncio foi feito durante uma audição parlamentar a Ernesto Araújo na Câmara dos Deputados, com o chefe da Diplomacia brasileira a garantir que o país já está a mobilizar ajuda para Moçambique.
“Já mobilizamos 100 mil euros em favor de Moçambique. Nas próximas 48 horas estamos enviando um avião com ajuda humanitária, basicamente assistência médica e uma equipe de bombeiros para contribuir com o trabalho que está sendo realizado em Moçambique”, disse o ministro.
“Veremos o que mais podemos fazer, inclusive explorando a possibilidade de cooperação triangular, ou seja, sabemos que carecemos de recursos, mas temos a capacidade operacional para fazer ações. Podemos mobilizar outros países, por exemplo, os Estados Unidos, para oferecer mais ajuda a Moçambique”, acrescentou.
A passagem do ciclone Idai em Moçambique, no Zimbabué e no Maláui fez pelo menos 786 mortos e afetou 2,9 milhões de pessoas nos três países, segundo dados das agências das Nações Unidas.
Moçambique foi o país mais afetado, com 468 mortos e 1.522 feridos já contabilizados pelas autoridades moçambicanas, que dão ainda conta de mais de 127 mil pessoas a viverem em 154 centros de acolhimento, sobretudo na região da Beira, a mais atingida.
As autoridades moçambicanas adiantaram que o ciclone afetou cerca de 800 mil pessoas no país, mas as Nações Unidas estimam que 1,8 milhões precisam de assistência humanitária urgente.
Segundo o Instituto Nacional de Gestão de Calamidades de Moçambique, o Idai atingiu a Beira no dia 14 de março com chuva forte e rajadas de vento de 180 a 220 quilômetros por hora.
No Zimbabué, as vítimas mortais registadas são 259, há 186 feridos contabilizados e 4.500 deslocados, num total de 270 mil pessoas atingidas pelos efeitos do Idai.
No Maláui, o balanço mantém-se inalterado, nos 59 mortos, além de 672 feridos, 86 mil deslocados, e 868.900 pessoas afetadas.
OMS: Vacinação
Também a Organização Mundial da Saúde (OMS) vai promover uma campanha de vacinação contra a cólera no centro de Moçambique, onde as autoridades já detetaram cerca de 2.500 casos de diarreias.
“O primeiro objetivo é evitar a propagação da cólera, que já tem cinco casos confirmados”, anunciou em conferência de imprensa David Wichtwick, líder da equipe da OMS na cidade da Beira.
A campanha arranca na segunda-feira e vai ser feita em nove centros de vacinação contra a cólera, cinco dos quais na cidade da Beira, dois no Dondo, outro em Búzi e outro ainda em Nhamatanda, distritos mais afetados pelas cheias da província de Sofala.
“Nós temos 900 mil vacinas a chegar ao país [no sábado] e isso vai fazer com que tenhamos, pelo menos, três doses para cada pessoa, mas é muito provável que nos próximos meses tenhamos de reforçar essas doses para evitar a propagação”, afirmou.
O líder da equipe da OMS admite que existam ainda muitas comunidades que precisam de assistência, considerando que é preciso tempo para chegar a todas as áreas afetadas pelo ciclone Idai.
“Não estamos satisfeitos com o que foi possível fazer até agora, estamos conscientes de que precisamos de fazer mais e acreditamos que é possível chegar a mais lugares onde as pessoas precisam de ser assistidas”, declarou.